Orientação Profissional
Como escolher uma profissão aos 17 anos?
Escolher uma profissão tão cedo pode parecer uma decisão grande demais. A orientação profissional ajuda o adolescente a transformar dúvidas, interesses e possibilidades em uma escolha mais consciente e fundamentada.
Por Adriana Ogawa, CRP 18/915 · · 6 min de leitura
Escolher um curso ao final da adolescência envolve muito mais do que responder à pergunta: “Qual profissão combina comigo?”
Nesse momento, o jovem ainda está construindo sua identidade, ampliando o conhecimento sobre si e descobrindo possibilidades de formação e de trabalho. Ao mesmo tempo, precisa lidar com expectativas familiares, comparações com os colegas, dúvidas sobre o futuro e, muitas vezes, com o receio de fazer uma escolha “errada”.
Por isso, a dúvida não deve ser entendida simplesmente como falta de maturidade ou indecisão. Escolher é um processo que envolve autoconhecimento, informação, exploração de possibilidades e tomada de decisão.
Antes de “qual curso eu faço?”, existem outras perguntas
A escolha profissional não começa pelo nome de um curso.
Antes disso, existem perguntas importantes:
- Quais são meus interesses?
- Quais habilidades reconheço em mim?
- O que valorizo em uma profissão?
- Que atividades despertam minha curiosidade?
- Em quais ambientes consigo me imaginar trabalhando?
- Que estilo de vida desejo construir?
- Quais possibilidades profissionais ainda conheço pouco?
Essas perguntas ajudam o adolescente a ampliar o olhar para além de uma lista de cursos e a compreender que uma escolha profissional envolve a relação entre quem ele é, o contexto em que vive e as possibilidades que encontra no mundo.
A orientação profissional oferece um espaço estruturado para investigar essas questões e relacioná-las às possibilidades reais de formação e atuação.
O objetivo não é encontrar uma profissão “perfeita”, nem receber de um teste a resposta sobre o que fazer. É construir critérios para que a escolha tenha mais sentido, consciência e autonomia.
A família também faz parte dessa escolha
Nenhuma escolha profissional acontece de forma completamente isolada.
As histórias familiares, as profissões presentes na família, os valores transmitidos entre gerações, as expectativas dos pais, as condições concretas de vida e até aquilo que a família aprendeu a considerar como sucesso podem atravessar esse momento.
Na perspectiva sistêmica, olhar para essas influências não significa responsabilizar a família nem retirar a autonomia do adolescente. Significa ajudá-lo a compreender o que pertence aos seus próprios desejos e o que pode estar relacionado às expectativas construídas ao seu redor.
A família pode ser uma importante fonte de segurança nesse período quando consegue participar oferecendo diálogo, informação e apoio, sem transformar suas expectativas em uma decisão pelo jovem.
O desafio é estar perto sem escolher por ele.
Como funciona a Orientação Profissional?
A Orientação Profissional é um processo estruturado, realizado em até 9 sessões, respeitando as características e necessidades de cada orientando.
Ao longo dos encontros, diferentes recursos podem ser utilizados para ampliar a compreensão sobre o adolescente e apoiar a construção da escolha:
- Entrevista inicial e levantamento da história pessoal, familiar e escolar.
- Investigação de interesses, habilidades, valores, características pessoais e critérios de escolha.
- Utilização de instrumentos e testes psicológicos, quando indicados e adequados aos objetivos do processo.
- Exploração e pesquisa orientada sobre cursos, profissões, universidades e diferentes possibilidades de atuação.
- Reflexão sobre expectativas familiares e outras influências presentes na escolha.
- Integração das informações construídas ao longo dos encontros.
- Devolutiva final e entrega de relatório com a síntese do percurso realizado.
Os testes psicológicos são recursos dentro de um processo mais amplo. Eles não determinam qual profissão uma pessoa deve seguir. Seus resultados precisam ser compreendidos em conjunto com a história, os interesses, o contexto e as demais informações construídas durante a orientação.
Sobre a autora
Adriana Amélia Trindade dos Santos Ogawa
Psicóloga | CRP 18/915
Especialista em Terapia Sistêmica Individual, de Casal e Família, com mais de 20 anos de atuação clínica. Atendimento a adolescentes, adultos, casais e famílias, presencialmente em Rondonópolis/MT e on-line no Brasil e no exterior.
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